4ª edição da Judaica – Mostra de cinema e cultura

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Para celebrar o seu quarto aniversário, a edição 2016 da Judaica – Mostra de cinema e cultura, vai decorrer em quatro localidades: Em Lisboa, de 16 a 20 de março, no Cinema São Jorge, Cascais (8 a 10 de abril) no Centro Cultural de Cascais e O Cinema da Villa, Belmonte (14 a 17 de abril) no Museu Judaico e no Auditório Municipal, e Castelo de Vide (5 a 8 de maio) no Cineteatro Mouzinho da Silveira,

O programa do evento dedicado à temática judaica, está centrado em dois conceitos atuais: “Refugiados e Sobrevivência”. Na vertente cinematográfica, vão ser exibidas 12 longas-metragens, 11 documentários e quatro curtas-metragens. Ao mesmo tempo, vão decorrer exposições, debates, conferências e concertos. Os preços dos bilhetes para cada sessão custam 4 euros.

Na programação para Lisboa, o destaque vai para o filme de abertura, a ante-estreia nacional de ‘Uma História de Amor e Trevas’, a primeira longa-metragem da realizadora Natalie Portman. Para a sessão de encerramento foi escolhido ‘Febre ao Amanhecer’, do cineasta Péter Gárdos.

Fique com a programação completa do evento que vai decorrer no Cinema São Jorge, em Lisboa:

Quarta-feira, 16 de março

18:30 h Sala 2 – Sessão especial

“Os Bebés de Auschwitz: Nascidos para Sobreviver”

Apresentação do livro, com a presença de Wendy Holden e Hana Moran, em conversa com Cláudia Ninhos.

21:30 h Sala Manoel de Oliveira – Sessão de Abertura

Uma História de Amor e Trevas

amor-e-trevasRealizadora: Natalie Portman
Israel – 97’

Baseado no Best-seller internacional do autor Amos Oz, “A Tale of love and Darkness” conta as suas recordações de infância no final do Mandato Britânico na Palestina e os primeiros anos do Estado de Israel. O filme concentra-se na relação do jovem Amos com a sua mãe e o seu início como escritor. Uma história emocionante que mostra o que acontece quando as histórias que contamos se tornam nas histórias que vivemos

Antecedido pela curta, ‘O Bacon e a Ira de Deus’ (9′) de Sol Friedman.

Quinta-feira, 17 de março

10:00 h Sala Manoel de Oliveira – Sessão Escolas

Uma Turma Difícil

turmaRealizadora: Marie-Castille Mention-Schaar
França – 105’

Uma turma do liceu francês Léon Blum, em Creteil, é conhecida como catastrófica e os seus alunos incontroláveis, com um nível de conhecimentos muito baixo. Confrontada com a situação, Anne Gueguen a professora de história, decide inscrever a turna num concurso nacional de História.
Apesar da relutância inicial, os alunos começam a enfrentar o desafio e gradualmente transformam-se, através de um trabalho coletivo de pesquisa histórica.

19:00 h Sala Manoel de Oliveira – Documentário

Filmes Proíbidos

verboteneRealizador: Felix Moeller
Alemanha – 94’

Documentário sobre os filmes de propaganda nazi, cuja exibição pública continua a ser proibida na Alemanha. Sessão de perguntas e respostas com a presença do realizador.

…………………….

21:30 h Sala Manoel de Oliveira

Pássaros de Fogo

fireRealizador: Amir Wolf
Israel – 105’

A morte de um octogenário, esfaqueado e com um número tatuado no antebraço, é investigada por um polícia. A vítima era um charmoso burlão que pesquisava obituários e enganava viúvas para entrar no restrito grupo dos sobreviventes do Holocausto. Um clube especial, de gente que nos últimos anos de vida a aproveita com alegria e humor, agarrando-se às memórias felizes e românticas de uma Europa pré-II Guerra Mundial.

Sexta-feira, 18 de março

18:30 h Sala 2 – Debate

Klezmer-Sefardita: Duas Músicas, Um Mundo

Uma conversa com Rui Vieira Nery, Daniel Kahn, Merlin Shepherd e Manuel Rocha.

19:30 h Sala Manoel de Oliveira – Sessão Solidária

Todos os Rostos têm um Nome

everyoneRealizador: Magnus Gertten
Suécia – 76’

O sueco Magnus Gertten procura, descobre e entrevista sobreviventes de campos de concentração nazis de várias nacionalidades, judeus e não judeus que aparecem em imagens de arquivo a chegar ao porto de Malmö, a 28 de Abril de 1945. Gerttenestabelece ainda um paralelo com a realidade que o mundo hoje enfrenta, ao intercalar o filme da época com imagens actuais de pessoas que chegam à Sicília, em busca de refúgio, depois de uma perigosa travessia do Mediterrâneo.

Com a presença de Magnus Gertten, Pedro Calado e Rui Marques. Debate moderado por Irene Pimentel.
Antecedido pela curta ‘Ellis’ (14′) de JR.

22:00 h Sala Manoel de Oliveira

Finsterworld

finsterworldRealizadora: Frauke Finsterwalder
Alemanha – 91’

Uma fábula negra composta por várias personagens peculiares, desde um tratador de pés que usa pele morta como ingrediente especial para a confecção de bolachas,
até um polícia que gosta de se vestir de boneco de pelúcia. As histórias, aparentemente desconexas, acabam por se interligar.

Antecedido pela curta ‘Querido Deus’ (13′) de E. Tadmor e G. Nattiv.

Sábado, 19 de março

11:00 h Visita Guiada

Lisboa Judaica: Ao encontro do último Cabalista de Lisboa

14:00 h Sala Manoel de Oliveira

O Filme Árabe

arabeRealizadores: Eyal Sagui Bizawe e Sara Tsifroni
Israel – 60’

Quando a televisão israelita começou as suas emissões, em 1968, deu-se início a uma tradição que vigorou até à Primeira Intifada, em 1987: a transmissão de um filme árabe, sempre às sextas-feiras à tarde. Para as famílias israelitas era um ritual quase sagrado iniciar o Shabbat com o visionamento de longas-metragens árabes e na sua maioria realizadas no Egipto, então o principal inimigo de Israel. Neste documentário, os realizadores Eyal Sagui Bizawe e Sara Tsifroni procuram recuperar as memórias desses serões e entender o porquê de um costume aparentemente tão politicamente incorrecto.

Antecedido do documentário ‘No Salão de Zizi’ (36′) de Iris Zaki.

15:00 h Sala 3

A Escandalosa Sophie Tucker

sophieRealizador: William Gazecki
EUA – 96’

Sophie Tucker terá sido a primeira estrela pop na história do entretenimento. Filha de uma família judia oriunda da Ucrânia, Sonya Kalish, nome de registo, nasceu em 1887 quando os pais estavam em trânsito para os EUA. Pisou um palco pela primeira vez aos 20 anos. Obrigada a usar uma máscara negra porque os produtores do espectáculo consideravam-na demasiado grande e feia, Tucker conheceu pessoalmente sete presidentes norte-americanos e foi amiga e fonte de inspiração de nomes como Judy Garland, Bette Midler, Frank Sinatra e Charlie Chaplin, entre muitos outros. Morreu em 1966.

16:30 h Sala Manoel de Oliveira

Festins Imaginários

festinsRealizadora: Anne Georget
França, Bélgica – 69’

Nos campos de concentração nazis e nos campos de trabalho soviéticos e japoneses, os prisioneiros trocavam receitas de cozinha que anotavam em pequenos cadernos, folhas de papel e pedaços de tecidos. Por paradoxal que possa parecer, estes festins de comida imaginários que partilhavam entre si contribuíam para atenuar a fome extrema em que sobreviviam. Apesar de raros, alguns destes apontamentos chegaram até aos nossos dias.

Antecedido do documentário ‘Claude Lanzman: Espectros de Shoah’ (40′) de Adam Benzine.

17:30 h Sala 3

Por Uma Mulher

mulherRealizadora: Diane Kurys
França – 110’

Memórias autobiográficas e dois enredos paralelos que mostram as contradições francesas a partir dos anos 40. Num dos lados da narrativa está uma escritora, Anne, que descobre fotos e cartas da mãe após o falecimento dela. As histórias de ambas vão-se interligando ao longo do filme, mostrando que é possível narrar o Holocausto sem abusar do sentimentalismo fácil.

19:00 h Sala Manoel de Oliveira

Minha Herança Nazi: O Que os Nossos Pais Fizeram

naziRealizador: David Evans
Reino Unido – 96’

A relação entre dois homens, ambos filhos de altas figuras do regime nazi, mas com noções antagónicas do papel que os pais desempenharam na II Guerra Mundial e no Holocausto. A ponte entre eles, Niklas Frank, filho do Governador-Geral da Polónia ocupada, e Horst von Wächter, filho do Governador da Galiza ucraniana, é feita por
Philippe Sands, reputado advogado de Direitos Humanos, cuja família judia foi exterminada nos territórios do Leste europeu invadidos pelos alemães. Enquanto o trio improvável cruza sentimentos e lugares de perda, brutalidade e culpa, surge a questão: até que ponto pode o amor de um filho pelo pai levar à negação do passado?

Debate com Niklas Frank, Philippe Sands e Renato Barroso. Moderação de José Fialho Gouveia.

22:00 h Sala 2 – Concerto

Daniel Kahn & The Painted Bird

Domingo, 20 de março

11:00 h Sala 3 – Sessão Famílias

Na Fila por Anne Frank

anneRealizadores: Robert Schinkel e Martijn Bink
Holanda – 54’

Mais de um milhão de pessoas, com um recorde de 1.268.095 em 2015, visitam todos os anos a casa onde Anne Frank e a família se esconderam, em Amesterdão, num anexo dissimulado por uma estante de livros. Pessoas de todo o mundo, de diferentes idades, passados e futuros, identificam-se com o que a jovem viveu e escreveu no Diário, na clandestinidade, durante a II Guerra Mundial. Na longa e habitual fila para entrar no Museu Casa de Anne Frank, o que pensam e sentem os visitantes, antes e depois de conhecerem o anexo, enquanto a vida lá fora continua?

Antecedido pela curta ‘Que Férias…’ (6′) de Anne S. Lewis

14:00 h Sala Manoel de Oliveira

Eichman, O Espectáculo

eichmanRealizador: Paul Andrew Williams
Reino Unido – 92’

O oficial nazi Adolf Eichmann é considerado o cérebro por detrás da ‘Solução Final’. Depois de vários anos em fuga, Eichmann foi sequestrado pela Mossad, na Argentina, em 1960, e levado para Israel. O julgamento que começou em Abril de 1961 e terminou em Dezembro com a condenação à morte, foi o primeiro da História a ser transmitido a nível global.

15:00 h Sala 3 – Sessão Famílias

Cântico dos Cânticos

canticoRealizadora: Eva Neymann
Ucrânia – 76’

Estamos em 1905 num shtetl, uma pequena comunidade judaica ortodoxa, situada na Europa de Leste. Shimek e Buzya têm apenas 10 anos e constroem uma amizade mágica e fantástica. Mas só muito mais tarde, quando Buzya está prestes a casar, é que Shimek terá realmente noção do que ela significa para ele.

Apresentado por António Carvalho, quando se assinala o centenário da morte de Sholem Aleichem.

16:30 h Sala Manoel de Oliveira

Jerusalém Oriental/Jerusalém Ocidental

jerusalemRealizadores: Henrique Cymerman e Erez Miller
Israel – 80’

Este documentário, que abriu a 15.ª edição do Festival de Cinema de Woodstock, co-realizado pelo jornalista Henrique Cymerman, acompanha a gravação de um álbum do activista e músico israelita David Broza. Mais do que um simples trabalho de estúdio, o compositor, nascido em Haifa em 1955, pretende que o disco, intitulado East Jerusalem / West Jerusalem, seja uma tomada de posição política. Num momento em que a paz entre judeus e palestinianos parece um sonho cada vez mais distante, Broza reúne músicos dos dois lados do conflito para, em conjunto, gravarem um álbum num estúdio situado na zona leste de Jerusalém e mostrar que a cultura pode ajudar a unir o que a política teima em dividir.

Sessão de perguntas e respostas com Henrique Cymerman e o produtor Gidi Avivi.

19:00 h Sala Manoel de Oliveira

Febre ao Amanhecer

febreRealizador: Péter Gárdos
Hungria, Israel – 110’

Um filme em que o realizador húngaro Péter Gárdos conta a inacreditável história dos pais. Ambos sobreviventes do Holocausto, chegaram à Suécia em 1945, sem nunca se terem encontrado, em conjunto com milhares de outros refugiados vítimas da brutalidade nazi. Mas Miklós está doente e o médico que o acompanha dá-lhe apenas seis meses de vida. Perante a notícia da morte iminente, o pai de Péter decide escrever a todas as mulheres acolhidas pela Suécia e oriundas da sua zona natal na Hungria. Lili responde-lhe e ambos iniciam uma intensa troca de correspondência. Na vida real, em 1998, três dias após a morte de Miklós, Lili decidiu entregar ao filho todas as cartas que ela e o marido enviaram um ao outro nesse início de namoro. Esse é o ponto de partida de Febre ao Amanhecer, também editado em livro.

Estreia absoluta do filme e lançamento do livro, com a presença do realizador e autor Péter Gárdos.

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