A celebração da relação de 50 anos entre “A Gulbenkian e o Cinema Português”

A Gulbenkian e o Cinema Portugues 2019

A relação de 50 anos entre “A Gulbenkian e o Cinema Português” vai ser celebrada durante este mês de julho com a exibição de 15 filmes de nove realizadores de diferentes gerações, sob o lema “Memória do Futuro”. A 4ª edição do ciclo tem curadoria de António Rodrigues, convidado a “olhar de fora” os resultados da presença da Fundação nas carreiras de artistas e cineastas portugueses que se têm vindo a afirmar em Portugal e internacionalmente.

Durante seis dias, de 5 a 7 e de 12 a 14 de julho, as curtas e longas-metragens serão exibidas em seis sessões, divididas por três temáticas: “O Futuro da Memória”, “Artistas Filmados” e “Os Anos Gulbenkian”, com a presença de alguns realizadores e dos convidados André Dias, Bernardo Vaz de Castro, José Manuel Costa e Nuno Faria.

Para uma maior acessibilidade dos conteúdos todos os filmes estão legendados em inglês e em português e o espaço da Sala Polivalente da Coleção Moderna assegura o acesso à mobilidade reduzida. A entrada é gratuita mediante levantamento de bilhete no próprio dia a partir das 10:00h, com um máximo de 2 bilhetes por pessoa.

O “Futuro da Memória” abre e encerra este ciclo com duas longas-metragens produzidas em 2018: “A Volta ao Mundo Quando Tinhas 30 Anos”, da realizadora japonesa Aya Koretzki, e “Actos de Cinema”, do cineasta angolano Jorge Cramez.

Confira a programação completa da 4ª edição do ciclo “A Gulbenkian e o Cinema Português”. Para mais informação consulte o site oficial da Fundação Calouste Gulbenkian.

Sexta-feira, 5 Julho – 19:00h – O Futuro da Memória

“A Volta ao Mundo Quando Tinhas 30 anos (110’)”, de Aya Koretzky

O retrato do pai pelo olhar da filha através de um álbum de fotografias. Um diário de uma viagem nos anos 70 a partir do Japão para uma volta ao mundo. Pai e filha cruzam olhares sobre as memórias das antigas imagens e palavras, partilhando o desejo de as trazer para o presente.

Conversa final com o curador, a realizadora e Bernardo Vaz de Castro.

Sábado, 6 Julho – 19:00h – Os Anos Gulbenkian

“A Pousada das Chagas (25’)” de Paulo Rocha

Documentário de criação sobre o Museu de Arte Sacra de Óbidos, encomendado pela Fundação Calouste Gulbenkian. De forma não convencional, o filme é, segundo as palavras do próprio realizador, uma colagem de gestos, textos, objetos, espaços e corpos.

“Revolução (11’), de Ana Hatherly

Filmado em formato Super-8 e apresentado na Bienal de Veneza em 1976, Revolução capta os cartazes, grafites e pinturas políticas nas ruas de Lisboa no período posterior ao 25 de Abril, conciliando o aspeto lúdico e a dimensão ética do trabalho da artista.

“27 Minutos com Fernando Lopes Graça (27’), de António-Pedro Vasconcelos

Um retrato do compositor, que se afasta do modelo do documentário cultural tradicional e se aproxima de um trabalho de campo. Lopes Graça fala com recato de música, da sua música, inclusive da sua componente etnográfica. Por detrás da posição do compositor naquele momento, vislumbra-se a do país.

Conversa final com o curador e José Manuel Costa.

Domingo, 7 Julho – 19:00h – Artistas Filmados

“António Palolo: Ver o Pensamento a Correr (45’)”, de Jorge Silva Melo

O ponto de partida deste filme foi uma exposição de António Palolo, no CAM/Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian. A partir da evocação do artista, Jorge Silva Melo fez um filme na primeira pessoa: evoca um tempo passado, o das aventuras da sua geração em jovem, a universidade, os cafés, as livrarias, algumas das quais também eram galerias de arte. Como fio condutor, a obra e a figura de António Palolo.

“Pintura Habitada (52’)”, de Joana Ascensão

Documentário sobre o trabalho de Helena Almeida, artista plástica que, desde o final dos anos 60, desenvolveu uma obra na qual explora os limites da auto-representação e as fronteiras dos diferentes meios que utiliza, sejam eles a pintura, o desenho, a fotografia ou o vídeo. Pintura Habitada centra-se nas várias fases e elementos envolvidos no elaborado processo criativo através do qual Helena Almeida constrói os seus trabalhos, desde os primeiros estudos à exposição das obras acabadas.

Com a presença de Nuno Faria e dos realizadores.

Sexta-feira, 12 Julho – 19:00h – Artistas Filmados

“Da Natureza das Coisas (36’)”, de Luís Miguel Correia

Documentário sobre a obra de Carlos Nogueira, seguindo de perto uma série de exposições realizadas pelo artista. O filme acompanha as fases essenciais da montagem das exposições: a conceção, a definição e transformação dos materiais e a instalação dos elementos escultóricos.

“Blind Runner – An Artist Under Surveillance (59’)”, de Luís Alves de Matos

Documentário sobre o artista João Louro, assumindo as aparências de um filme de ficção, entre o road movie e o thriller

Com a presença dos realizadores.

Sábado, 13 Julho – 19:00h – Os Anos Gulbenkian

“As Três Graças (3’)”, de Luís Noronha da Costa

O binómio cinema e pintura. A imagem como espelho ou a imagem como espelho da imagem.

“Casa sobre Casa (3’)”, de Luís Noronha da Costa

Alguém que se vê a uma janela, aquilo que esta pessoa vê (fora de campo), uma imagem sobreposta ao seu reflexo. Uma vez mais, a imagem como espelho da imagem

“Manuela (5’)”, de Luís Noronha da Costa

O retrato do corpo e da alma de uma mulher, num ritual.

“A Menina Maria (17’)”, de Luís Noronha da Costa

Eco do cinema mudo, “cinema puro” livre das contingências narrativas, propício à contemplação e à evasão.

“Murnau (3’)”, de Luís Noronha da Costa

Eco do Nosferatu de Friederich Murnau, filme da transfiguração, dos fantasmas que visitam os vivos e os levam para o seu mundo.

“O Construtor de Anjos (41’)”, de Luís Noronha da Costa

Em finais do século XIX, um casal de ingleses residentes em Portugal, tendo de viajar para o estrangeiro, deixa a filha de sete anos num convento, onde as crianças são afogadas num lago, invocando-se o batismo contra as forças do mal.

Com a presença do realizador e de André Dias.

Domingo, 14 Julho – 19:00h – O Futuro da Memória

“Actos de Cinema (120’)”,de Jorge Cramez

“Afetos da vida nas imagens é o mote deste filme que alterna ‘instantâneos’ de rodagens e a memória presente de pessoas com quem trabalhei em filmes de Teresa Villaverde, João Mário Grilo, José Álvaro de Morais, Fernando Lopes ou Miguel Gomes”, segundo Jorge Cramez.

Com a presença do realizador.

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