“Acorrentados”: Canal História dá a conhecer a história do esclavagismo em Espanha

Acorrentados“, a primeira série documental que quebra o silêncio em torno da história do esclavagismo em Espanha, estreia em exclusivo no Canal História num momento de grande sensibilização mundial sobre o passado esclavagista no mundo. Esta minissérie de quatro episódios, é exibida aos sábados, pelas 22:15h, a partir de 26 de março.

Como parte do segmento de programação “AMC História”, a série aborda a temática da escravatura de todos os ângulos e explora aprofundadamente os contextos históricos de um fenómeno que acelerou o progresso económico em muitas zonas de Espanha, atingindo os limites legais, até à consolidação do abolicionismo em finais do século XIX, em que Espanha foi o último país da Europa a fazê-lo.

Os episódios mostram como Espanha foi uma grande potência esclavagista, com a presença dos escravos e a origem das fortunas que favoreceram a revolução industrial neste país, proporcionando algum esclarecimento sobre esta realidade histórica com seriedade, imparcialidade e rigor.

Segundo o canal, esta produção original contou com a ajuda de reconhecidos especialistas internacionais, e analisa a importância determinante que o comércio de escravos teve ao longo de quatro séculos desde a colonização da América até à revolução industrial. Este trabalho examina, com um enfoque original e sem precedentes, o contexto social, cultural e histórico no qual se desenrolou este fenómeno em Espanha, a última grande potência que aboliu o esclavagismo em todo o seu território.

Conheça um pouco melhor os quatro episódios da minissérie:

Episódio 1 – “O Último Poder Escravo ” – 26 de março às 22:15h

Ao longo de três séculos, 2,1 milhões de escravos chegaram de África aos territórios ultramarinos espanhóis. A maioria deles foi transportada por navios espanhóis. Durante pouco mais de um século e meio, o comércio de escravos altamente lucrativo em Espanha foi um monopólio real. Após a sua liberalização, a Coroa continuou a cobrar impostos ao comércio. Nas colónias, os escravos eram utilizados para trabalhar nas minas, para a construção de portos e fortificações e, mais tarde, como mão-de-obra para a agricultura intensiva.

Episódio 2 – “Escravos na Sociedade Espanhola ” – 26 de março às 23:00h

A presença de escravos na sociedade espanhola era muito comum até meados do século XIX. Do século XVI ao século XIX, os europeus podem ter reduzido à escravatura cerca de 18 milhões de pessoas, das quais cerca de 700.000 (não apenas africanos) foram trazidas para a Península Ibérica. Em algumas cidades, como Cádis e Sevilha, a percentagem da população escrava chegava a atingir os 15%. Praticamente todas as classes sociais possuíam escravos, que eram comprados nos mercados como qualquer outra mercadoria. Ainda hoje, é possível encontrar vestígios claros da presença da população escravizada no nosso país até tempos muito recentes.

Episódio 3 – “Capitalismo Escravo” – 2 de abril às 22:15h

Durante décadas, o trabalho escravo foi a base da economia mundial. O comércio entre a Europa e as Américas era apoiado por escravos que trabalhavam em massa nos campos de algodão, café e açúcar. A colónia espanhola de Cuba tornou-se o território mais rico, e a produção de açúcar sustentou a economia espanhola. Por esta razão, em Espanha, muitos sectores, desde a própria Coroa até homens de negócios, comerciantes e mesmo pequenos proprietários de terras, opuseram-se fortemente à abolição da escravatura quando países como a França, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos o tinham feito décadas antes.

Episódio 4 – “A Outra Face da Revolução Industrial” – 2 de abril às 23:00h

Entre os séculos XVIII e XIX, dezenas de milhares de espanhóis partiram para a América. Poucos, menos de 10 por cento, conseguiram fazer fortuna e regressar ricos a Espanha. Aqui ficaram conhecidos como os Indianos. Muitos deles enriqueceram com a utilização de trabalho escravo ou com o tráfico directo. Chegaram com muito capital numa época de grande expansão económica. Foram empreendedores e investiram nos novos sectores de ponta, que alimentaram a revolução industrial em Espanha.

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