“Essencial Fellini”: Ciclo de cinema arranca hoje nos Cinemas Medeia

Ciclo de Cinema Essencial Fellini nos cinemas Medeia

A partir desta quinta-feira, 6 de agosto e até 10 de setembro, vai decorrer o ciclo de cinema “Essencial Fellini“, uma iniciativa da Medeia Filmes em parceria com a Risi Film, a Alambique e a Festa do Cinema Italiano, celebra o centenário do nascimento do cineasta Federico Fellini com a reposição de seis títulos emblemáticos em cópias digitais restauradas.

As seis obras do cineasta italiano, nascido em janeiro de 1920, em Rimini, vão ser exibidas nos Cinemas Medeia disponíveis em várias cidades do país, uma iniciativa integrada ao movimento Fellini 100 que junta, ao longo do ano e por todo o país, uma série de eventos que permitem lembrar, conhecer e redescobrir a multifacetada obra do cineasta.

Confira a programação e um breve resumo dos filmes:

6 Agosto – “La Dolce Vita (1960)”

O maior sucesso do cineasta italiano representa um olhar à cultura do estrelato, com um protagonista no encalço do sedutor estilo de vida das ricas e glamorosas celebridades que, em pleno era da sociedade do espetáculo, se exibem em Roma. O mirone desse espetáculo mundano chama-se Marcello Rubini (Marcello Mastroianni) e, na qualidade de jornalista de mexericos, explora as periferias dos holofotes. Um filme mais emblemático do autor que será sempre lembrado pela imagem icónica da sueca Anita Ekberg na Fontana di Trevi.

13 Agosto – “A Estrada” (1954)

Nunca houve um rosto como o de Giulietta Masina. O seu marido, Fellini, dirige-a no papel de Gelsomina em A Estrada, o filme que estabeleceu o seu carisma internacional. Figura frágil e ingénua num mundo sem amor, Gelsomina é vendida pela mãe a Zampanò (Anthony Quinn), um saltimbanco forte e bruto que a leva para trabalhar com ele na sua vida de estrada, dando-lhe um número burlesco. Quando este encontra um velho rival, o artista que dá pela alcunha de “O Louco” (Richard Basehart), a fúria do homem musculado é provocada até ao ponto de rutura. A Estrada venceu o Óscar de Melhor de Filme Estrangeiro.

20 Agosto – “Fellini 8 1/2 (1963)”

Marcello Mastroianni, alter ego de Fellini, interpreta Guido Anselmi, um realizador a atravessar uma crise de inspiração. Durante a estadia numas termas, todos os seus fantasmas lhe aparecem, como que em sonhos, misturados com as pessoas reais que frequentam o local ou que o vêm visitar: familiares, atores, produtores e até críticos. Um dos grandes clássicos de Fellini, Fellini 8 1/2 transforma a crise artística de um homem num épico de cinema.

27 Agosto – “Julieta dos Espíritos (1963)”

Suspeitando da infidelidade do marido, Giulietta (Giulietta Masina, esposa de Fellini) entra numa jornada surreal de autodescoberta, repleta de sonhos selvagens e fantasias encantatórias que envolvem Suzy, a sua vizinha sexualmente emancipada, e seu estilo de vida glamouroso dos anos 1960. Julieta dos Espíritos é o reverso feminino do “eu” masculino de Fellini 8 1/2.

3 Setembro – “Os Inúteis (1953)”

Cinco jovens permanecem num limbo pós-adolescente, sonhando com aventuras e o dia em que deixam para trás a pequena cidade costeira onde arrastam a existência. Como quem tenta encontrar um sentido na vida provinciana, preenchem o vazio dos dias com namoricos e farras, às custas das suas famílias indulgentes. Um dia, um deles decide largar tudo e apanha o comboio para Roma… Este terceiro título da filmografia de Federico Fellini é a sua primeira obra semiautobiográfica. Primeiro sucesso internacional do cineasta, valeu-lhe o Leão de Prata no Festival de Veneza e a nomeação para o Óscar de Melhor Argumento Original.

10 Setembro – “A Voz da Lua (1990)”

Ivo Salvini (Roberto Benigni) é um lunático visionário de alma inocente. Delicia-se com a vida provinciana e nutre um amor desmesurado por Aldina (Nadia Ottaviani), a mulher que ele diz ter o rosto da Lua. Este derradeiro filme de Fellini é um angustiado retrato do louco e do moderno. Fellini morreu em 1993, mas o último filme anunciava muito do que aconteceu e continua a acontecer na Europa depois da morte dele numa extrema lucidez do maestro sobre a confusão da vida moderna.

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