“Fantasmas do Império”: Documentário sobre o colonialismo português estreia a 3 de junho

Estreia do filme Fantasmas do Império

Exibido em agosto de 2020 no IndieLisboa e presente na Seleção Oficial do Festival Caminhos do Cinema Português, o documentário luso-francês “Fantasmas do Império“, da realizadora Ariel de Bigault, chega ao circuito comercial português na próxima quinta-feira, 3 de junho, com distribuição da Zero em Comportamento.

Coproduzido pela Ar de Filmes e a Kidam, o filme explora o imaginário colonial no cinema português desde o início do século XX atravessando um século de história cinematográfica. Aos documentários e ficções do passado colonial contrapõem-se filmes e olhares contemporâneos.

O documentário viaja pela dicotomia entre obras que obedeceram aos ideais do regime, passando a ideia de uma sociedade saudável e próspera nas antigas colónias portuguesas, e obras mais recentes que, com um olhar mais distante e crítico sobre a colonização, contrastam fortemente com os filmes do passado colonial e expõem à luz a discriminação, a opressão e a violência desse período. E é precisamente esse contraste que Ariel de Bigault quis explorar.

“O olhar sobre as colónias foi mudando. Mesmo na propaganda salazarista o discurso evoluiu na forma de filmar e contar a dominação colonial. Assim se foi construindo a ficção do não-racismo português e da convivência entre colonizadores e colonizados. As poucas e notáveis exceções foram filmes censurados pelo regime. E no pós-25 de Abril, ficou um silêncio, porque ninguém queria falar desse passado colonial, que a mim interessou muito. Quis explorar principalmente as obras de vários cineastas que trouxeram outras narrativas, perspetivas diferentes, olhares críticos. Esta longa e complexa história, estas memórias e imaginários, são património comum e merecem ser descobertos, ou redescobertos”, afirma a realizadora.

“Fantasmas do Império” apresenta obras de Fernando Matos Silva, João Botelho, Margarida Cardoso, Hugo Vieira da Silva, Ivo M. Ferreira, Manuel Faria de Almeida, Joaquim Lopes Barbosa. Estes sete cineastas de diversas gerações, assim como José Manuel Costa, diretor da Cinemateca, e Maria do Carmo Piçarra, investigadora, abrem os cofres da memória, dialogando com os atores Ângelo Torres e Orlando Sérgio. Desvendam os mitos das descobertas, a ficção imperial, a fábrica da epopeia colonial, as máscaras da dominação… tudo fantasmas que persistem até hoje, e que são revisitados nas salas de cinema nacionais.

Um dos principais trunfos do documentário é o seu ritmo. Longe de ser um documentário “de arquivo” e de apresentar a narrativa à semelhança de muitos “filmes históricos”, nesta obra Ariel de Bigault joga com a encenação e a fluidez, misturando trechos de diversos filmes e evidenciando contrastes e contrapontos. Num ritmo muito próprio, a autora propõe um leque de olhares sem nunca tecer um comentário em off que imponha determinado um ponto de vista. O objetivo “é mexer com o imaginário das pessoas e suscitar emoções que abrem caminho a reflexões”.

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