Festival de Berlim: Urso de Ouro para o filme iraniano “There Is No Evil”

Filme There Is No Evil venceu o Urso de Ouro do Festival de Berlim 2020

“There Is No Evil”, filme do iraniano Mohammad Rasoulof, foi o grande vencedor da 70ª edição do Festival de Berlim, ao ser distinguido com o Urso de Ouro, o prémio máximo da Berlinale.

Perseguido pelo regime e impedido de sair do Irão, o realizador não marcou presença no festival, sendo o prémio entregue à atriz Baran Rasoulof e aos produtores Kaveh Farnam e Farzad Pak. No discurso, este último disse: “Gostava que Mohammad estivesse aqui, mas infelizmente está proibido de deixar o território. Agradeço à equipa que pôs a vida em perigo para estar neste filme.”

Com duas horas e meia de duração, o filme apresenta quatro histórias, que são variações sobre os temas cruciais da força moral e da pena de morte, que perguntam até que ponto a liberdade individual pode ser expressa sob um regime despótico e as suas ameaças aparentemente inevitáveis, vistas pelos executores e pelas famílias das vítimas.

O Urso de Prata Grande Prémio do Júri foi para a terceira longa-metragem da realizadora norte-americana Eliza Hittman, “Never Rarely Sometimes Always”, um drama sobre o aborto após uma indesejada gravidez adolescente. Já o sul-coreano Hang Sang-soo foi premiado com o Urso de Prata de Melhor Realização pelo filme “The Woman Who Ran”.

Nas categorias de interpretação o prémio de Melhor Ator foi atribuído ao italiano Elio Germano por “Volevo Nascondermi”, drama biográfico de Giorgio Diritti, e o de Melhor Atriz foi para a alemã Paula Beer por “Undine”, drama romântico de Christian Petzold.

Distinguido na passada sexta-feira pela Federação Internacional de Críticos (FIPRESCI), na nova secção competiva paralela Encontros, o filme “A Metamorfose dos Pássaros”, de Catarina Vasconcelos, a única representação portuguesa na Berlinale, não conseguiu quaquer prémio oficial.

A homenageada deste ano com o Urso Honorário foi a atriz britânica Helen Mirren, uma edição cujo júri foi presidido pelo ator britânico Jeremy Irons, acompanhado pela atriz francesa Bérénice Bejo, o ator italiano Luca Marinelli, a produtora alemã Bettina Brokemper, a cineasta palestiniana e poeta Annemarie Jacir, o cineasta americano Kenneth Lonergan e o cineasta brasileiro Kleber Mendonça Filho.

Confira o palmarés principal da 70ª edição:

URSO DE OURO – MELHOR FILME
– “There Is No Evil”, de Mohammad Rasoulof

URSO DE PRATA – GRANDE PRÉMIO DO JÚRI
– “Never Rarely Sometimes Always”, de Eliza Hittman (EUA)

URSO DE PRATA – MELHOR REALIZAÇÃO
– Hong Sang-soo por “Domangchin Yeoja”

URSO DE PRATA – MELHOR ATRIZ
– Paula Beer por “Undine”

URSO DE PRATA – MELHOR ATOR
– Elio Germano por “Volevo Nascondermi”

URSO DE PRATA – MELHOR ARGUMENTO
– “Favolacce”, dos irmãos Damiano e Fabio D’Innocenzo

URSO DE PRATA – EXTRAORDINÁRIA CONTRIBUIÇÃO ARTÍSTICA
– Jürgen Jürges, pelo trabalho de fotografia de “DAU. Natasha”, de Ilya Khrzhanovskiy e Jekaterina Oertel

URSO DE PRATA – PRÉMIO ESPECIAL DA 70ª EDIÇÃO DA BERLINALE
– “Effacer L’historique”, de Benoît Delépine e Gustave Kervern

URSO DE OURO – MELHOR CURTA-METRAGEM
– “T”, de Keisha Rae Witherspoon

URSO DE PRATA – CURTA-METRAGEM
– “Filipiñana”, de Rafael Manuel

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