“Laranjas Sangrentas”: Uma sátira cínica à sociedade francesa contemporânea

Depois de “Apnée” (2016), o cineasta francês Jean-Christophe Meurisse estreou nas Sessões da Meia-Noite do Festival de Cannes 2021 a sua segunda longa-metragem, “Laranjas Sangrentas” (Oranges Sanguines), uma comédia negra que satiriza de uma forma bastante cínica e anarquista vários tópicos políticos da sociedade francesa contemporânea.

O filme já foi exibido em Portugal e venceu em 2021 o Prémio do Público do MOTELX – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, organização que promove a exibição do filme no circuito comercial português, com estreia agendada para a próxima quinta-feira, 9 de junho, às 21:30h, em exclusivo no Cinema Ideal, em Lisboa.

O cáustico e provocativo novo filme de Meurisse, apresenta alguns pensamentos muito aguçados sobre masculinidade tóxica, hipocrisia e justiça, assuntos particularmente sensíveis na França nos dias de hoje, com um enredo descentralizado que segue quatro vertentes narrativas separadas, em que o denominador comum é a injustiça – que se torna o fio condutor do filme – juntamente com a ansiedade e a miséria.

Apresentando as histórias em simultâneo, o terror resulta do misto de atualidade e imprevisibilidade das mesmas: um casal de reformados assoberbados em dívidas tenta ganhar um concurso de dança, um fraudulento ministro da Economia é suspeito de evasão fiscal, uma adolescente encontra um maníaco sexual e um jovem advogado tenta subir na hierarquia social. Nestes contextos sociais e assombrados que se cruzam, as reviravoltas são tão inesperadas como aterrorizantes.

“Com um desenrolar surpreendente e um desfecho inesperado”, o filme “bebe dos westerns de Sam Peckinpah e do clássico ‘Deliverance’, de John Boorman”, lê-se no comunicado do MOTELX.

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