“O Ano da Morte de Ricardo Reis”: Filme de João Botelho estreia a 1 de outubro

Estreia do filme O Ano da Morte de Ricardo Reis

Depois de “Peregrinação” (2017), o realizador português João Botelho tem pronto para lançar nos cinemas nacionais, no próximo dia 1 de outubro, o seu último trabalho, o drama “O Ano da Morte de Ricardo Reis“.

Trata-se de um adaptação da obra homónima do Prémio Nobel da Literatura, José Saramago, que conta no elenco principal com o ator brasileiro Chico Diaz (no papel de Ricardo Reis), Luís Lima Barreto (Fernando Pessoa) e com as atrizes Victoria Guerra e Catarina Wallenstein, entre outros.

O filme passa-se em Lisboa, em 1936, quando o médico Ricardo Reis regressa a Portugal depois de se ‘auto-exilar’ no Brasil mais de uma década. Entrelaçando a ficção com a história, José Saramago concebeu um encontro particular, o do defunto Fernando Pessoa, com este heterónimo. 1936 é o ano de todos os perigos, do fascismo de Mussolini, do Nazismo de Hitler, da terrível guerra civil espanhola e do Estado Novo de Salazar.

Pessoa e Reis são dois lúcidos observadores da agonia de um tempo, tão similar ao que vivemos, onde ascendem os populismos e os totalitarismos. Nessa relação intrometem-se duas mulheres, Marcenda (Guerra) e Lídia (Wallenstein), as paixões platónicas, carnais e impossíveis de Ricardo Reis.

Produzido pela Ar de Filmes, com distribuição pela NOS Audiovisuais, ‘”O Ano da Morte de Ricardo Reis” é uma alegoria que tem como pano de fundo a afirmação do Estado Novo. Para estar à altura deste notável romance do realismo fantástico, João Botelho decidiu filmar a preto e branco, criando um ambiente verosímil, onde os personagens se vão movendo, aflitos ou entusiasmados.

Para João Botelho a obra de Saramago “denota-se muito atual e ganha uma nova urgência com o regresso do atual populismo”, e enquadra-se na tendência do cinema do realizador nos últimos anos, fixando para cinema grandes obras da literatura portuguesa.

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