“O Cinema Segundo Pier Paolo Pasolini”: Ciclo de cinema de 7 de abril a 12 de maio

A Risi Film, com o apoio do Instituto Italiano de Cultura de Lisboa, apresenta o ciclo “O Cinema Segundo Pier Paolo Pasolini“, uma mostra de cinema para celebrar a vida e a obra do cineasta italiano, nascido a 5 de março de 1922.

Este ciclo é composto pelas primeiras 6 obras restauradas, 5 longas-metragens de ficção e 1 documentário, que serão exibidas por ocasião do centenário do nascimento de um dos maiores intelectuais do séc. XX.

O ciclo inicia-se com o primeiro filme do realizador, “Accattone” (1961) seguindo de algumas das mais emblemáticas e controversas obras cinematográficas de Pasolini como “Mamma Roma“(1962), “O Evangelho Segundo S. Mateus” (1964), “Comícios de Amor” (1965), “Passarinhos e Passarões” (1966) e “Rei Édipo” (1967).

Estes seis filmes essenciais do cineasta vão estar disponíveis semanalmente, às quintas-feiras, a partir do dia 7 Abril, no Cinema Ideal (Lisboa), UCI Cinemas El Corte Inglés (Lisboa), O Cinema da Villa (Cascais), Cinema Trindade (Porto) e UCI Cinemas Arrábida Shopping (Porto) seguindo depois para outras salas do país.

As sessões serão acompanhadas com conversas e debates, com convidados a definir, sobre o cineasta, as suas obras e como estas influenciaram o pensamento da sociedade atual.

Conheça melhor os seis filmes que fazem parte do ciclo “O Cinema Segundo Pier Paolo Pasolini”

7 abril – “ACCATTONE” (1961)

Um olhar dolorosamente humano que se alonga pela tragédia, pela indigência, pela escassez. Vittorio (Franco Citti), conhecido como Accattone (calão para “pequeno meliante”), habita os subúrbios de Roma e leva uma vida marcada pelo ócio, como chulo, enquanto explora a namorada Maddalena (Silvana Corsini) e passa o tempo com os seus companheiros. Mas quando Maddalena é maltratada por elementos de um bando rival, por ter denunciado um dos seus, acaba na prisão e Accattone fica sem meio de subsistência.

14 de Abril – “O EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS” (1964)

Drama bíblico inovadoramente naturalista e despojado, com a vida de Cristo recontada a partir do Evangelho segundo Mateus. Nesta obra maior, o realizador italiano Pier Paolo Pasolini apresenta-nos um Cristo completamente distinto do estilo ‘épico’ com que o cinema o vinha caracterizando; um Cristo solar que se faz acompanhar da música de Bach, enquanto a Virgem é interpretada pela mãe do próprio autor.

21 de Abril -“MAMMA ROMA” (1962)

Um retrato neorealista de martírio maternal que marca uma transição na filmografia inicial do subversivo Pasolini
Segundo filme de Pasolini, com argumento original da sua autoria e uma das primeiras obras do cineasta a retratar os marginais da sociedade italiana. A partir da história melodramática de uma prostituta de Roma que tenta dar uma vida digna ao seu filho, Pasolini constrói um filme com uma extraordinária dimensão poética e social, coroado por uma das mais exímias performances de Anna Magnani.

28 de Abril – “PASSARINHOS E PASSARÕES” (1966)

Caprichosa fantasia fílmica sobre cristianismo e marxismo, também conhecida por ser o último filme do bem-amado actor cómico Totò
Um conto alegórico estreado em Cannes e no qual brilha o lendário Totò com um desempenho memorável. Enquanto se deslocam pela estrada fora e através do tempo, com uma incursão à época de S. Francisco de Assis, Totò e o seu filho (Ninetto Davoli) encontram um corvo falante (e intelectual de esquerda) que os acompanha na digressão.

5 de Maio – “REI ÉDIPO” (1967)

Pasolini reinventa a tragédia de Sófocles num dos seus mais poderosos mas subestimados filmes, formulação inicial do seu “cinema-poesia”
Pasolini adapta Sófocles transformando “Edipo Re” numa “autobiografia”:« “Conto a história do meu próprio complexo de Édipo. Conto a minha vida mistificada, tornada épica pela lenda de Édipo.”

12 de Maio – “COMÍCIOS DE AMOR” (1965)

Pasolini veste o uniforme de cineasta de guerrilha, saindo à rua de microfone na mão, para falar de sexo com os seus compatriotas.
Profundamente interessado pelo tempo em que vivia, Pasolini deu com “Comizi d’amore” um exemplo notável do que se chamava na época “cinema-verdade”. Objecto documental inusitado de um criador eternamente apostado em desafiar os limites e convenções do medium cinematográfico.

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