“Pink Saris” é o novo filme do videoclube da Zero em Comportamento

Filme Pink Saris no videoclube da Zero em Comportamento

Já chegou ao videoclube da Zero em Comportamento o filme “Pink Saris“, da realizadora Kim Longinotto, sobre o movimento Gulabi Gang, que trabalha pelos direitos das mulheres no norte da Índia.

Sampat Pal, a complexa e singular activista política, líder do movimento das mulheres que se vestem de cor-de-rosa, fez a seguinte afirmação: “A A vida de uma rapariga é cruel… A vida de uma mulher é muito cruel”.

Tal como muitas raparigas, Sampat foi forçada a casar-se muito jovem e a trabalhar como escrava pela família do marido. Mas, ao contrário do que é hábito, Sampat revoltou-se, abandonou o marido e a família e acabou por tornar-se uma paladina para muitas mulheres maltratadas, mediando dramas familiares e defendendo pessoas em situações de vulnerabilidade devido às convenções da sociedade Indiana.

Em “Pink Saris”, assistimos a vários exemplos deste trabalho, como é o caso de Rekha, uma rapariga de catorze anos, pertencente à casta dos “intocáveis”, que estando grávida de três meses e “sem-abrigo”, é impedida de casar com o pai do seu bebé devido à condição inferior da sua casta. Ou a situação de Renu, uma rapariga de 15 anos, abandonada pelo marido (resultante de um casamento arranjado), cujo sogro repetidamente a viola, e que ameaça atirar-se para debaixo de um comboio.

Movimento Gulabi Gang

A britânica Kim Longinotto é uma das mais proeminentes documentaristas em actividade, sendo reconhecida internacionalmente pelos seus pungentes retratos e pelo seu sensível e apaixonante tratamento de tópicos difíceis. Observando, reflectindo e contando as estórias de mulheres que desafiam convenções e lutam contra instituições, opressão e preconceitos, Longinotto documenta e revela as idiossincrasias e os costumes de sociedades oprimentes.

Passando por temas tão diversos como o divórcio no Irão, a mutilação genital feminina no Quénia, a violência sobre mulheres e crianças nos Camarões, na África do Sul ou na Índia, a educação de crianças emocionalmente perturbadas em Inglaterra ou mesmo questões de género, identidade sexual e contradições culturais no Japão, Longinotto assume-se politicamente comprometida, viajando pelo mundo inteiro para documentar os aspectos mais difíceis da realidade das mulheres.

Quase todos os seus filmes foram premiados um pouco por todo o mundo, sendo que “Sisters in Law” recebeu o Prémio Arte e Ensaio do Festival de Cannes, “Hold me tight, Let me go” foi galardoado com o Prémio Especial do Júri no Festival Internacional de Documentário de Amesterdão e “Rough Aunties” ganhou o Prémio do Júri na competição World Cinema do Festival de Sundance.

Navegando pelas águas do documentário, desde que iniciou a sua carreira em 1976, trabalhando quase sempre com equipas reduzidas – a própria, na câmara, uma co-realizadora local e apenas uma pessoa no som – e mantendo-se sempre independente de quaisquer produtoras, Longinotto tem conseguido financiar o seu trabalho através da emissão dos seus filmes na BBC e vem conquistando a sua importância cinematográfica através do florescente circuito dos festivais de cinema.

“Pink Saris” está disponível por 3€, durante 72 horas, no videoclube da Zero em Comportamento.

Artigos relacionados