Seis filmes de Federico Fellini vão regressar aos cinemas em abril e maio

Seis filmes de Federico Fellini nos cinemas

Numa iniciativa conjunta da Risi Film, Alambique e a Festa do Cinema Italiano, o centenário do nascimento de Federico Fellini vai ser celebrado com a reposição de seis títulos emblemáticos em cópias restauradas, entre os meses de abril e maio, nas salas de cinema nacionais, cineclubes e auditórios do país.

Uma iniciativa integrada ao movimento Fellini 100 que junta, ao longo do ano e por todo o país, uma série de eventos que permitem lembrar, conhecer e redescobrir a multifacetada obra do genial inventor e grande mestre do cinema italiano que nasceu em Rimini, Itália, em Janeiro de 1920.

Os filmes serão também lançados em novas edições DVD e disponíveis nas principais plataformas VoD até ao final do ano 2020.

2 abril – “A Doce Vida” (La Dolce Vita -1960)

O maior sucesso do cineasta italiano representa um olhar à cultura do estrelato, com um protagonista no encalço do sedutor estilo de vida das ricas e glamorosas celebridades que, em pleno era da sociedade do espetáculo, se exibem em Roma. O mirone desse espetáculo mundano chama-se Marcello Rubini (Marcello Mastroianni) e, na qualidade de jornalista de mexericos, explora as periferias dos holofotes. Um filme mais emblemático do autor que será sempre lembrado pela imagem icónica da sueca Anita Ekberg na Fontana di Trevi.

16 abril – “Julieta dos Espíritos” (Giulietta Degli Spiriti – 1963)

Suspeitando da infidelidade do marido, Giulietta (Giulietta Masina, esposa de Fellini) entra numa jornada surreal de autodescoberta, repleta de sonhos selvagens e fantasias encantatórias que envolvem Suzy, a sua vizinha sexualmente emancipada, e seu estilo de vida glamouroso dos anos 1960. Julieta dos Espíritos é o reverso feminino do “eu” masculino de Fellini 8 1/2.

23 abril – “A Estrada” (La Strada- 1954)

Nunca houve um rosto como o de Giulietta Masina. O seu marido, Fellini, dirige-a no papel de Gelsomina em A Estrada, o filme que estabeleceu o seu carisma internacional. Figura frágil e ingénua num mundo sem amor, Gelsomina é vendida pela mãe a Zampanò (Anthony Quinn), um saltimbanco forte e bruto que a leva para trabalhar com ele na sua vida de estrada, dando-lhe um número burlesco. Quando este encontra um velho rival, o artista que dá pela alcunha de “O Louco” (Richard Basehart), a fúria do homem musculado é provocada até ao ponto de rutura. A Estrada venceu o Óscar de Melhor de Filme Estrangeiro.

30 abril – “Os Inúteis” (I Vitelloni – 1953)

Cinco jovens permanecem num limbo pós-adolescente, sonhando com aventuras e o dia em que deixam para trás a pequena cidade costeira onde arrastam a existência. Como quem tenta encontrar um sentido na vida provinciana, preenchem o vazio dos dias com namoricos e farras, às custas das suas famílias indulgentes. Um dia, um deles decide largar tudo e apanha o comboio para Roma… Este terceiro título da filmografia de Federico Fellini é a sua primeira obra semiautobiográfica. Primeiro sucesso internacional do cineasta, valeu-lhe o Leão de Prata no Festival de Veneza e a nomeação para o Óscar de Melhor Argumento Original.

7 maio – “Fellini 8½” (1963)

Marcello Mastroianni, alter ego de Fellini, interpreta Guido Anselmi, um realizador a atravessar uma crise de inspiração. Durante a estadia numas termas, todos os seus fantasmas lhe aparecem, como que em sonhos, misturados com as pessoas reais que frequentam o local ou que o vêm visitar: familiares, atores, produtores e até críticos. Um dos grandes clássicos de Fellini, Fellini 8 1/2 transforma a crise artística de um homem num épico de cinema.

14 maio – “A Voz da Lua” (La VoceDella Luna – 1990)

Ivo Salvini (Roberto Benigni) é um lunático visionário de alma inocente. Delicia-se com a vida provinciana e nutre um amor desmesurado por Aldina (Nadia Ottaviani), a mulher que ele diz ter o rosto da Lua. Este derradeiro filme de Fellini é um angustiado retrato do louco e do moderno. Fellini morreu em 1993, mas o último filme anunciava muito do que aconteceu e continua a acontecer na Europa depois da morte dele numa extrema lucidez do maestro sobre a confusão da vida moderna.

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