O que aconteceria se, de um momento para o outro, acordássemos no corpo de outra pessoa? É a partir desta premissa insólita que Arthur Harari constrói “A Desconhecida” (L’Inconnue), uma longa-metragem que cruza o drama psicológico com o fantástico e coloca em causa a relação entre aquilo que somos e a forma como nos vemos.
Com Léa Seydoux e Niels Schneider nos principais papéis, o novo filme do realizador francês parte de um encontro inesperado para explorar as fronteiras entre o corpo, a perceção e a identidade. A longa-metragem integrou a competição oficial do Festival de Cannes de 2026.
O filme acompanha David Zimmerman, um fotógrafo que se aproxima dos 40 anos e cuja vida decorre, em grande medida, à margem dos outros. Pouco dado a sair de casa, David acaba por ser levado por amigos a uma festa invulgar. É aí que repara numa mulher desconhecida, por quem fica imediatamente fascinado, decidindo segui-la. Horas depois, desperta no corpo dessa mesma mulher, dando início a uma experiência que altera radicalmente a sua existência.

A partir deste acontecimento inexplicável, Harari desenvolve uma narrativa que ultrapassa os mecanismos convencionais do fantástico. A transformação física torna-se o ponto de partida para questionar a identidade individual, a perceção do outro e os limites da experiência humana. O mistério não reside apenas em perceber o que aconteceu a David, mas também em compreender o que significa habitar uma vida que não é a sua.
Entre o drama psicológico e o fantástico, “A Desconhecida” propõe uma experiência cinematográfica que parte de uma situação extraordinária para abordar uma questão profundamente humana: até que ponto a nossa identidade depende do corpo que habitamos e da forma como somos reconhecidos pelos outros?
A estreia comercial em Portugal está marcada para a próxima quinta-feira, dia 22 de outubro, através da distribuidora Nitrato Filmes. Assista ao trailer:









